quarta-feira, março 23, 2011

Bons dias.



Você se cansa de amores incompletos, de amores platônicos, de falta de amor, de excesso disso e daquilo. Se cansa do “apesar de”, da sensação de estar sendo prejudicado, se cansa do “a vida é assim mesmo”. Você se cansa de esperar, de rezar, de aguardar, de ter esperanças, cansa do frio na barriga, cansa da falta de sono. Você se cansa da hipocrisia, da falsidade, da ameaça constante, se cansa da estupidez, da apatia, da angústia, da insatisfação, da injustiça, do frenezi, da busca impossível e infinita de algo que não sabe o que é. Se cansa da sensação de não poder parar.

23 de outubro de 2010.



Eles se amam. Todo mundo sabe, todo mundo diz, todo mundo insiste. Eles são os únicos que não sabem disso ainda. Mentira: Sabem sim, mas não vêem. Tudo culpa daquele medo meio irracional e paranóico. Aquele silêncio gritante, aquela vontade, temperada com anseios de um futuro incerto. Não importa. Sempre que pensam um no outro sorriem. E por enquanto, apenas isso basta.

Te perder.



Por mais que eu adie a vida sem você e fuja do mundo pra esperar um telefonema por duas ou três semanas, no fundo eu sei que você não volta. Que a gente não volta. Bem lá no fundo eu sei que você quer ser passado, mesmo ainda sendo tão presente em mim.

Te quero tanto e ao mesmo tempo te quero longe.



Eu serei o que lhe falta, e quando ela disser que já não pode mais imaginar a vida sem mim, eu já não estarei mais lá. Vou arrancar-me dela por ter perdido o maior motivo de amá-la; o do desafio, o da conquista. E com uma tristeza abissal verei as piores lágrimas jorrarem de seus olhos e me sentirei um estuprador de criancinhas. Porque eu sou um idiota de qualquer maneira. Viciado pelo fascínio.

Você continua aqui.



Não sei bem o que é, mas há algo presente em cada centímetro do teu sorriso que me dá vontade de chutar a porta que dá pra rua e sair correndo, sem saber onde fica a minha casa. Há algo que me priva de usar todas as artimanhas que eu colecionei, que me faz esquecer todas as minhas frases de efeito e que faz com que tudo que eu faça/diga pareça de uma imbecilidade infantil.

Eu te conheço mais do que você mesmo.



E não precisa dizer que eu não te conheço, que isso não faz sentido, que eu estou enlouquecendo. Eu sei muito bem disso. Sei que os diagnósticos possíveis são muitos e que os prováveis são alguns, mas meu médico sou eu mesmo e eu acabo de receber alta.

Ainda pensou: Gosto tanto de você



Você está falando ao telefone, dizendo que nosso amor se foi. Eu não me arrependo de tudo, eu quero você e eu faria tudo de novo.

sexta-feira, março 18, 2011

E ele é tudo que você quer hoje.



Você sabe que seriam bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas você prefere ser a garota dele. E sabe que serão importantes na história um do outro para sempre, independentemente de tudo que estiver pra acontecer. Porque ele não é só um cara. Você não quer mais só um cara. E ele é tudo que você quer hoje.

Não é verdade.



Mas não é verdade que nunca tivesses suspeitado desta tarde, não é verdade que por um momento sequer tivesses tentado fugir à tua trágica determinação, não é verdade que alguma vez tivesses sequer pensado numa possibilidade de salvação, sim, tu sabias deste momento a construir-se desde o começo, e não fizeste nenhuma tentativa de evitá-lo, agora é necessário que enfrentes, embora talvez não soubesses do depois deste momento que se faz agora e portanto não possas estar preparado para o próximo momento.

E você era.



Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

Pontos finais.



Uma história nunca fica suspensa: ela se consuma no que se interrompe, ela é cheia de pontos finais.

Dessa vez, com você, eu queria que desse certo.



Não quero ter motivos pra ir embora, pra te deixar falando sozinho, pra bater o telefone na sua cara. E eu não tenho medo que isso aconteça (eu nunca tenho), eu fiz isso com todos os outros. É só que dessa vez eu queria muito que fosse diferente. Dessa vez, com você, eu queria que desse certo.

Arrogância.



É entre a curiosidade da minha tristeza e a vontade de ligar para alguém esquecido. Um misto de arrogância primitiva com medo de começar a chorar e não parar nunca mais.

Mau humor. Fragilidade.



Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar a minha fragilidade escondida no meu mau-humor.

Ah, menina.



Ah. Menina, o que foi que foi que aconteceu com você? O que foi que fizeram com você? Eu não sei, eu não entendo. Roubaram a minha alegria.

Só isso.




Eu só queria que ele tivesse me amado metade do que ele disse que amava, ou metade do que eu amava.

Uma vontade de você.



Hoje deu vontade de chorar e eu só queria um colo para encostar minha cabeça e fingir que o mundo lá fora não existe.

E eu sempre fui.



E eu andava, e tudo que eu andava eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.

Continuar.



Mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar.

Sobrevivo todos os dias à morte de mim mesmo.



Na minha memória - tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos.